em principal

Onde você estava no 11 de setembro?

Desculpe incomodar o silêncio de sua viagem, passageiros, com a minha história. Um pouco inspirado em tudo o que aconteceu e, com o foco que a mídia tem dado recentemente em seus jornais, resolvi contar minha experiência no dia em que todos no mundo ficaram chocados ao mesmo tempo.

São poucos os eventos que podemos marcar como mundiais, que deixam a sua marca de forma a congelar a memória de todos semelhante ao que foi feito na série inacabada Flash Forward, onde o mundo inteiro foi afetado por um estranho evento: todos no planeta desmaiaram ao mesmo tempo. A razão disso ficou na obscuridade pois a série foi cancelada antes de revelado as razões. Mas, o 11 de setembro está longe de ser uma obra de ficção.

Lembro-me perfeitamente até hoje dos detalhes desse dia.

Em 2001, estava no terceiro período da faculdade de publicidade, na FACHA, curtindo muito a área de comunicação (um ano antes, havia saído de História na UFRJ e escolhido a nova profissão). Trabalhava na Barra da Tijuca, perto do Extra, em uma empresa de Saúde Empresarial, voltada a organizar e estimular programas médico-hospitalares nas empresas (PCMSO e PPRA), fora, alguns elementos de incentivo via internet. Era o gerente de marketing da pequena empresa e fazia de tudo um pouco: animações em flash, layout de páginas na web e impressos, criação de logos e algumas estratégias de produtos.

Estive com grandes amigos nessa empresa: Luiz Bandeira (atualmente na Add Technologies), Márcio Marques e Douglas Bueno (que viria a ser um dos primeiros funcionários da Kindle) entre outros. Foi um período de ouro em aprendizagem em desafios.

Era mais um dia de trabalho quando Luiz, que trabalhava de fones de ouvido, retirou-os e disse, espantado: “jogaram um avião no World Trade Center!”

A minha primeira reação, e a de todos na pequena sala era de que se tratava de uma piada. Mas ele nos mostrou a página na internet com a notícia. “Não é possível!” a gente dizia, mas estava na nossa frente. Todas as páginas de notícias mostravam a mesma manchete de última hora: “Avião atinge o WTC”. Tínhamos uma televisão na sala e ficamos atônitos com a imagem do prédio soltando fumaça e a tentativa do repórter em apresentar o que sabia e as imagens que chegavam das TVs americanas.

E logo em seguida, o choque: o segundo avião atinge a outra torre, ao vivo.

Ficamos minutos sem acreditar, parecia uma cena digna de filme com efeitos especiais e tudo! Mas não era… era real. E as imagens passaram a se repetir até uns 15 minutos e depois a conclusão: o desabamento dos prédios. Tudo passava na nossa mente: desde a Terceira Guerra Mundial a outros ataques pelo mundo. Foi um dia que terminou com um gosto amargo enquanto uma fina chuva chegava no Rio de Janeiro naquele final de dia.

Não era a primeira vez que presenciava um evento trágico pela televisão. E minha memória me levava a outra época semelhante. Sete anos antes, houve um outro evento que marcou igualmente a história de muitos espectadores, no dia primeiro de maio de 1994: a morte de Ayrton Senna.

Tempos depois, em um documentário, um jornalista disse que a morte de Senna foi traumática pois ela aconteceu em cada lar do Brasil. Um símbolo que se apagou em cada TV ligada naquele domingo. Com o WTC foi a mesma coisa, só que em escala global. Por isso grande parte da população hoje tem a sua história pessoal ligada a este dia, em que todos podem responder a pergunta: “Onde você estava no 11 de setembro?” – participe nos comentários.

Agora passageiros, obrigado por sua atenção, voltemos à nossa programação normal.